Economia palestina em crescimento modesto em meio à ocupação israelense
1/9/2010

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O Território Ocupado da Palestina registrou um crescimento econômico marginal no ano passado, e o desemprego manteve-se elevado com a política de fechamento da fronteira israelense com a Cisjordânia e o bloqueio na Faixa de Gaza que continuam a inibir o potencial do território para a rápida expansão econômica, relataram as Nações Unidas ontem (31).

Em seu relatório anual sobre o auxílio aos palestinos, a Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) estima que o produto interno bruto (PIB) do Território aumentou 6,8% em 2009, mas a taxa de desemprego caiu apenas 1,6%.

A UNCTAD afirma que a economia palestina é ainda retida pela precipitação da operação militar israelense em Gaza em 2008 e 2009 e pelos custos da política de fechamento de Israel na fronteira com a Cisjordânia e o contínuo bloqueio econômico de Gaza.

O impasse no desenvolvimento palestino é o setor de bens comercializáveis, cuja competitividade é limitada pelo fechamento, utilização de moedas estrangeiras (o shekel israelense, o dólar americano e o dinar jordaniano) e uma base produtiva desgastada, de acordo com o relatório.

A revitalização do setor de bens comercializáveis e a reconstrução da capacidade produtiva são essenciais para o desenvolvimento da economia palestina. Embora o apoio de doadores seja vital, a sua eficácia econômica só será suficientemente realizada quando a política de fechamento de Israel e o bloqueio de Gaza forem suspensos.

A UNCTAD tem um mandato para auxiliar os palestinos a aliviar os efeitos das condições econômicas adversas e criar condições favoráveis para a construção de um Estado palestino soberano e viável.

A renovação do setor privado no Território continua a ser dificultada pelas restrições de Israel à circulação dentro do Território e nas fronteiras, além dos efeitos do muro de separação israelense, assentamentos e confisco de terras.

Esses fatores têm privado os setores produtivos de seus recursos mais importantes enquanto infla os custos de transação a níveis proibitivos e, portanto, reforçando uma mudança econômica para atividades de baixo valor agregado.

A situação em Gaza é muito pior do que na Cisjordânia, onde o chamado “túnel econômico” e a economia informal expandiram até uma taxa inédita para compensar o colapso do setor produtivo.

Apesar das significativas reformas fiscais, o déficit público da Autoridade Nacional Palestina (ANP) em uma base de “compromisso” deteriorado em 2,6%, atingiu 1,6 bilhão de dólares no ano passado. O relatório adverte que enquanto as reformas fiscais e uma redução do déficit público podem ser objetivos políticos importantes, eles não devem ser realizados de modo que piore os já graves níveis de pobreza, nem devem minar a capacidade dos governos locais para oferecer serviços e responder às necessidades de seus constituintes.

Superar a crise econômica palestina, o desemprego generalizado e a profunda pobreza não é possível a não ser que todas as medidas restritivas israelenses sejam suspensas, afirma o relatório da UNCTAD, observando que “medidas paliativas” não relançam o crescimento sustentado ou promovem o desenvolvimento, e o apoio dos doadores tem suas limitações.

Análises da UNCTAD do cenário quantitativo estimam que uma injeção de 1,6 bilhão de dólares em ajuda para o investimento público em 2010-2012 sob condições do bloqueio contínuo pode aumentar o PIB anual em menos de 1%, em média.

No entanto, o mesmo nível de investimento em um cenário de total suspensão do bloqueio de Gaza e uma flexibilização do fechamento das fronteiras com a Cisjordânia pode aumentar o PIB anual em 14%, em média, e poderia ajudar a impulsionar a criação de 80 mil empregos por ano.