Atenção a crianças desfavorecidas pode salvar milhões de vidas, aponta UNICEF
8/9/2010

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Investir em primeiro lugar em crianças mais desfavorecidas do mundo e em suas comunidades pode salvar milhões de vidas e ajudar a fomentar o progresso, contribuindo para atingir metas de desenvolvimento acordadas internacionalmente, de acordo com um novo estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

A agência constatou que uma abordagem baseada em ações, focando as necessidades das crianças mais desfavorecidas, pode ser uma estratégia rentável para atingir o os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) – oito metas que incluem reduzir a pobreza, a fome e uma série de outras mazelas sócio-econômicas até 2015.

Os resultados foram apresentados nesta terça-feira (7), em duas publicações: “Redução das disparidades para cumprir os objetivos” e o relatório “Progresso para as crianças: Alcançando os ODM com equidade”. “Nossos resultados desafiam o pensamento tradicional de que o foco sobre as crianças mais pobres e desfavorecidas não é rentável”, disse Anthony Lake, Diretor Executivo do UNICEF. “Uma estratégia de equidade focada trará não só uma vitória moral, mas também uma ainda mais emocionante: o direito na prática”.

O estudo constatou que para cada 1 milhão de dólares investido em saúde pública para as crianças, uma abordagem baseada em ações tem 60% mais chances de evitar a morte de crianças menores de cinco anos, em comparação com estratégias atuais. Além disso, proporcionar serviços essenciais às crianças mais pobres pode acelerar o progresso dos ODM, particularmente do Objetivo número 4, na redução de mortalidade de crianças menores de cinco anos em dois terços, entre 1990 e 2015, e reduzir as disparidades entre as nações.

Desigualdade é ameaça às metas

Uma vez que a maioria das mortes de crianças ocorrem nas comunidades mais necessitadas, novas reduções na mortalidade infantil dependem de investimentos nelas, de acordo com o estudo. A educação primária universal não pode ser alcançada sem estender a escolaridade para aqueles atualmente excluídos, os mais pobres e as crianças mais marginalizadas. Além disso, a discriminação, a violência e a desvantagem vivida por milhões de crianças só vai acabar com ações e investimentos que abordam as desigualdades.

Os dados mostram que, apesar de grandes avanços no sentido de alcançar a paridade de gênero na educação nos últimos dez anos, as meninas e mulheres jovens nas regiões em desenvolvimento continuam em considerável desvantagem no acesso à educação, especialmente no nível secundário. Além disso, as crianças que estão entre as 20% mais pobres nos países em desenvolvimento tem duas vezes mais probabilidades de morrer antes de completar seu quinto aniversário do que os filhos dos 20% mais ricos.

Observando que os resultados têm sido desiguais, o UNICEF enfatizou a necessidade de recentrar os esforços e investimentos nas necessidades urgentes das crianças mais pobres e marginalizados e de suas famílias. “Se continuarmos utilizando as estratégias que foram adotadas até agora no esforço global para alcançar os ODM, corremos o risco de deixar para trás milhões de crianças em todo o mundo desfavorecidas, vulneráveis e marginalizadas”.