Morte por Aids cai 10% no mundo, diz ONU
24/11/2009

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Segundo os novos dados publicados no relatório “Situação da Epidemia de Aids 2009”, as novas infecções pelo HIV reduziram 17% nos últimos oito anos. Desde 2001, ano em que foi assinada a Declaração de Compromisso das Nações Unidas sobre HIV/Aids, o número de novas infecções na África Sub-saariana diminuiu cerca de 15%, o que representa cerca de 400 mil infecções a menos em 2008. Na Ásia oriental, as novas infecções pelo HIV diminuíram quase 25% e na Ásia meridional e sub-oriental 10% durante o mesmo período. Na Europa oriental, depois do aumento drástico do número de novas infecções entre usuários de drogas injetáveis, a epidemia se estabilizou consideravelmente, no entanto, em alguns países há indícios de que as novas infecções estão aumentando mais uma vez.

O relatório, publicado hoje pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), destaca que mais além do ponto máximo da epidemia e de sua evolução natural, está se alcançando uma mudança com os programas de prevenção da infecção pelo HIV.

O Dr. Sidibé, Diretor Executivo do UNAIDS, afirmou que “A boa notícia é que temos provas de que as diminuições que observamos se devem, ao menos em parte, às atividades de prevenção da infecção pelo HIV; no entanto, os dados também indicam que os programas de prevenção ainda são inadequados e que temos que melhorar em relação ao nosso trabalho de levar os recursos e os programas para onde surtam maior efeito, se alcancem avanços mais rápidos e mais vidas sejam salvas”.

Neste primeiro exemplar duplo com formato de revista, o relatório “UNAIDS Outlook” examina como os estudos sobre as modalidades de transmissão estão mudando a orientação das atividades de prevenção; além disso, analisa ideias e maneiras inovadoras para utilização dos dados coletados no relatório epidemiológico que o acompanha.

Estima-se que:

33,4 milhões [31,1 milhões a 35,8 milhões] de pessoas vivem com HIV no mundo

2,7 milhões [2,4 milhões a 3,0 milhões ] de pessoas se infectaram em 2008

2 milhões [1,7 milhões a 2,4 milhões ] de pessoas morreram por causa de doenças relacionadas à aids em 2008.

O acesso universal aos serviços de prevenção, tratamento, atenção e apoio relacionados com a infecção pelo HIV

Os dados publicados no relatório Situação da epidemia de aids 2009 também indicam que há mais pessoas do que nunca – 33,4 milhões [31,1 a 35,8 milhões] – vivendo com o HIV devido, por um lado, ao fato de que as pessoas vivem mais tempo graças aos efeitos benéficos do tratamento anti-retroviral e, por outro, ao aumento da população. No entanto, o número de óbitos relacionados à aids diminuiu mais de 10% nos últimos cinco anos, na medida em que um número maior de pessoas obteve acesso ao tratamento que pode salvar vidas. O UNAIDS e a OMS calculam que desde 1996, ano em que o tratamento eficaz passou a estar disponível, cerca de 2,9 milhões de vidas foram salvas.

A Dra. Margaret Chan, Diretora Geral da OMS, afirmou que “Os investimentos internacionais e nacionais para ampliar o tratamento contra o HIV apresentam resultados concretos e quantificáveis. Não podemos permitir que este impulso diminua. Este é o momento de redobrar esforços e de salvar muitas vidas mais”.

O tratamento anti-retroviral também repercutiu de maneira importante na prevenção de novas infecções entre crianças, já que mais mulheres soropositivas têm acesso ao tratamento que impede que transmitam o vírus a seus filhos. Desde 2001, foram evitadas cerca de 200 mil novas infecções entre crianças.

Em Botsuana, onde a cobertura do tratamento é de 80%, os óbitos relacionados à aids diminuíram mais de 50% nos últimos cinco anos e o número de crianças órfãs também está diminuindo porque os pais vivem mais tempo.

Integração da resposta à aids

Um dos resultados importantes publicados no relatório é que a resposta à aids tem um grande impacto quando os programas de prevenção e tratamento da infecção pelo HIV estão integrados a outros serviços de saúde e bem-estar. Os dados iniciais indicam que o HIV pode ser um fator importante para a mortalidade materna. Com os modelos de pesquisa que utilizam os dados procedentes da África meridional, estimou-se que cerca de 50 mil óbitos maternos estiveram relacionados ao HIV em 2008.

O Dr. Sidibé disse que “é necessário por fim ao isolamento em que se encontra a resposta à aids” e agregou: “Os modelos de pesquisa já estão demonstrando que o HIV pode ter repercussões importantes sobre a mortalidade materna. O fato de que em Botsuana e no sul da África a metade dos óbitos maternos se deve a este vírus nos diz que devemos trabalhar para construir um enfoque unificado de saúde que associe os programas de saúde materno-infantil aos programas de prevenção ao HIV e à tuberculose e, deste modo, alcançar o objetivo que todos têm em comum”.

A epidemia de aids avança, mas os programas de prevenção contra o HIV não se adaptam com a mesma rapidez às mudanças.

O relatório também indica que a epidemia está mudando e que os esforços de prevenção não acompanham o ritmo desta mudança. Por exemplo, a epidemia na Europa oriental e na Ásia central que antes se caracterizava pelo uso de drogas injetáveis, atualmente está se propagando entre os parceiros sexuais das pessoas que utilizam drogas injetáveis. Do mesmo modo, em algumas partes da Ásia, a epidemia que em algum momento se caracterizou pela transmissão entre os profissionais do sexo e os usuários de drogas injetáveis, hoje afeta cada vez mais a casais heterossexuais.

Os dados indicam que há poucos programas de prevenção dirigidos a pessoas com mais de 25 anos, pessoas casadas ou em relações estáveis, homens e mulheres viúvos ou divorciados. Esses são os mesmos grupos nos quais se encontrou uma elevada prevalência da infecção pelo HIV nos países da África Sub-saariana. Por exemplo, na Swazilândia, as pessoas com mais de 25 anos representaram mais de três quartos das infecções em adultos, no entanto, poucos programas de prevenção foram concebidos para as pessoas mais maduras.

O financiamento dos programas de prevenção da infecção pelo HIV figura entre as porcentagens más baixas nos orçamentos destinados à luta contra o HIV/aids de muitos países. Na Swazilândia, por exemplo, apenas 17% do orçamento total que o país destina à luta contra a aids foi gasto em programas de prevenção, em que pese a taxa nacional de prevalência da infecção de 26%. Em Gana, o orçamento de 2007 para as atividades de prevenção foi reduzido em 43% com relação ao orçamento de 2005.

Criação de uma nova página na Internet para uma rede social de pessoas vivendo com HIV em todo o mundo.

Tendo em vista a necessidade de se aproveitar ao máximo os resultados e melhorar a comunicação entre os 33,4 milhões de pessoas que vivem com HIV e os milhões de indivíduos que formam parte da resposta para lutar contra esse vírus, o UNAIDS criou o “AIDSspace.org” uma rede social na internet, aberta à comunidade e gratuita.

O objetivo do AIDSspace.org é ampliar as redes informais estabelecidas para incluir um número maior de pessoas interessadas em questões relacionadas ao HIV, a fim de aproveitar ao máximo os recursos e, deste modo, fortalecer a resposta à aids.

A premissa do AIDSspace.org é simples: se centenas de milhões de pessoas estabelecem contato mediante algumas redes socais pela internet mais populares (por exemplo, Facebook, Linkedln, MySpace, Twitter e o YouTube) para se comunicar, trocar ideias e compartilhar materiais, o mesmo podem fazer para compartilhar materiais relacionados com o HIV, como políticas fundamentais, estudos de casos, arquivos multimídia, cartazes sobre conferências, relatórios e outros recursos indispensáveis. Os usuários também podem buscar e anunciar trabalhos e consultar revisões sobre os provedores de serviços.

O UNAIDS é uma iniciativa inovadora das Nações Unidas, pois reúne os esforços e recursos do Secretariado do UNAIDS e de 10 Organizações do Sistema das Nações Unidas na resposta à aids. A sede do UNAIDS fica em Genebra, na Suíça, com funcionários em mais de 80 países. Nos países, a ação articulada em aids do Sistema das Nações Unidas é coordenada por meio de Grupos Temáticos da ONU e de programas de ação conjuntos.

Os Co-patrocinadores do UNAIDS incluem: ACNUR, UNICEF, PMA, PNUD, UNFPA, UNODC, OIT, UNESCO, OMS e o Banco Mundial. A prioridade fundamental do UNAIDS é contribuir para que se cumpram compromissos mundiais para alcançar o acesso universal a intervenções integrais para a prevenção, o tratamento, a atenção e o apoio relacionados à infecção pelo HIV. Visite a página do UNAIDS na internet: www.unaids.org

A Organização Mundial da Saúde (OMS) é a autoridade diretiva e coordenadora da ação sanitária no Sistema das Nações Unidas. É responsável por desempenhar uma função de liderança em assuntos sanitários mundiais, configurar a agenda de pesquisas em saúde, estabelecer normas, articular opções de política baseadas em evidências científicas, prestar apoio técnico aos países e acompanhar e avaliar as tendências sanitárias mundiais. Para mais informações, visite a página www.who.int.

AIDSspace.org é uma comunidade virtual concebida para que as 33,4 milhões de pessoas que vivem com HIV e os milhares de indivíduos que formam parte da resposta ao vírus se comuniquem, compartilhem conhecimentos e obtenham acesso aos serviços disponíveis. Registre-se hoje mesmo em: www.aidsspace.org

Informações:

UNAIDS Brasil
Telefones: (61) 3038 9220/ 8165 3935
E-mail: imprensabrasil@unaids.org